Na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, decidiu-se, unânimemente, aumentar a taxa Selic em 0,75 p.p. Com isso temos a taxa mais alta em 5 anos e somos o país com o maior juros do mundo e pelo visto está cada vez mais difícil nos tirar desta primeira posição.
A seguir reportagem da versão online do Jornal Estadão de Beatriz Abreu e um link para um gráfico demonstrativo da evolução da taxa no governo Lula:
Copom surpreende e sobe juro em 0,75 ponto, maior em 5 anos
A alta, a terceira consecutiva no ano, tem como objetivo conter o consumo e reduzir pressão inflacionária
O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou nesta quarta-feira, 23, a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano. A alta foi a terceira consecutiva e é a maior desde fevereiro de 2003, início do governo Lula. A decisão, unânime e sem viés, já havia sido amplamente antecipada pelo mercado financeiro por causa da piora no cenário de inflação para 2008 e 2009. Por isso, a certeza de uma alta era geral. Só havia uma pequena dúvida em relação à intensidade do aperto monetário. A aposta majoritária era de 0,5 ponto, mas alguns arriscaram 0,75.
“Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,00% ao ano sem viés”, diz o comunicado divulgado após o encontro.
A decisão do Copom deve ser interpretada como uma atuação firme do BC nas expectativas do mercado financeiro e da sociedade de que a autoridade monetária não permitirá que a inflação saia do controle. A alta maior foi necessária para minar o repasse do aumento de preços do atacado para o varejo. Os índices divulgados recentemente mostram que os aumentos de preço de produtos no atacado estão girando na casa dos 10%.
Esse “aumento brusco” na taxa de juros tem também o objetivo de se tentar um ciclo mais curto de correção da taxa Selic e, com isso, um menor impacto nos níveis de investimento no País. Ou seja, o Banco Central quer conter a inflação, mas não quer provocar uma recessão. O objetivo é desacelerar o crescimento econômico do patamar de 5,4%, verificado em 2007 para algo entre 4% e 4,5% no próximo ano.
A última pesquisa Focus do Banco Central (BC) divulgada na segunda-feira, 21, mostrou que o mercado financeiro elevou a expectativa para a inflação deste ano para acima do teto da meta. A estimativa é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – usado como referência para a meta de inflação – termine 2008 em 6,53%. Trata-se de um patamar superior ao centro da meta, que é 4,5%. Para conter a alta dos preços, analistas esperam que o juro continue subindo. No período de 12 meses terminado em junho, a inflação oficial, medida pelo IPCA, apurado pelo IBGE, já está em 6,06%.
Na visão do mercado, os preços têm subido em praticamente todos os segmentos, o que se reflete em vários indicadores. No Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que reajusta os contratos de aluguel, por exemplo, a expectativa de alta passou para 11,96%.
Com a inflação acima do centro da meta, as projeções para o nível do juro vêm subindo. Agora, o mercado acredita que a taxa deve terminar o ano em 14,25% ao ano. Porém, para 2009, o mercado prevê uma redução gradativa do juro, com a Selic encerrando o ano que vem em 13,75% ao ano, ante estimativa anterior de 13,50% ao ano.
A ata desta reunião será divulgada em 31 de julho, quinta-feira da próxima semana, às 8h30. A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 9 e 10 de setembro. Depois, serão outras duas até o fim do ano, em outubro e em dezembro.
Link para o gráfico: http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowEspeciais!destaque.action?destaque.idEspeciais=347