Ricardo Gondim
Por qualquer critério de justiça, os haitianos deveriam constar entre os últimos a receberem os ataques da fúria divina. Não é necessário repassar os índices da miséria que os assola; miséria crônica, injusta, maligna. No Haiti, a mortalidade infantil é campeã e a anarquia política contribui para que a pouca riqueza seja pessimamente distribuída. Tenho amigos que trabalham na Visão Mundial e já sabia dessas estatísticas. Como poderia vir sobre este povo tão sofrido um terremoto de proporções épicas? Qual o sentido de matar indiscriminadamente feiticeiros anônimos, a preciosa Zilda Arns, bebês, empregados da ONU que lutavam pela paz, turistas e soldados brasileiros?

Quando recebi a notícia do cataclismo, fiquei sem ação. O Haiti fica longe. Impotente, procurei expressar meu pesar. Chorei diversas vezes diante da televisão. Era véspera do meu aniversário. Atropelado por cenas horrorosas, tentei, mais de uma vez, coordenar minhas convicções, ligar os pontos de minha espiritualidade, descer do pedestal de minha verdade. Naquele momento frágil, vi que era necessário, pelo menos, esvaziar afirmações simplistas que formaram o chão de minha fé por muitas décadas. Diante de cenas grotescas, continuar com as mesmas declarações não só me distanciaria do sofrimento humano, como deformaria ainda mais a minha relação com Deus.

Mas parece que cada texto que escrevo, no dia seguinte a uma tragédia, provoco inquietação em fundamentalistas, liberais, ortodoxos, pensadores narrativos (sem pretensão de minha parte). Dos ortodoxos vêm os golpes mais mordazes: “Incoerente, irresponsável com o texto bíblico, propagador de um Deus pequeno e desnecessário”. Os demais criticam por que “busco respostas onde não existe”. Muitos estão contentes com o mistério. E repetem que não se deve querer especular. “A hora é de estender a mão ao que sofre”. Embora goste mais da crítica do liberal, confesso que despejei no papel minha inquietação só porque precisava quebrar possíveis paredes que me afastavam dos que sofriam. Mas, de novo,  dei-me muito mal.

Sei que não adianta explicar nada. As trincheiras estão formadas. Entendo que não converterei ninguém – e nem estou interessado nisso. Entretanto, como a internet é veículo de comunicação rápido, também é suscetível a deturpações. Devo tentar debulhar melhor alguns pensamentos – talvez acirre ainda mais os ódios e as incompreensões, mas acho que vale a pena.

Procurarei esboçar ponto por ponto.

1. Os mistérios insondáveis. Sempre que em uma sinuca de bico com as convicções, parece fãcil escapar com afirmações: “isso é mistério e não convém perder tempo especulando sobre o que a gente não sabe”. Embora eu concorde em parte com esse tipo de raciocínio, acredito que muitas vezes essa postura reflete preguiça ou indisposição de demolir antigos conceitos. Não acredito que seja pecado perguntar (Em Isaías, Deus manda que o povo o questione). Alguém me provocou no twitter se eu queria “repensar tudo”. Outra pessoa respondeu por mim, e eu concordei: “E por que não?”. Sinceramente, não acredito que a fé se perde diante de perguntas difíceis. Pelo contrário, se alguma convicção não se sustentar diante do inquiridor mais feroz, talvez não mereça continuar. Perguntas podem levar a novas perguntas e a outra e outras. Mesmo que fiquemos sem resposta, o aprofundamento das questões e a busca por mais respostas é por si só, fascinante.
2. Dissimular o argumento com frases piedosas. Geralmente o debate se esvazia antes que se consiga pensar nos conteúdos porque vem precedido de frases piedosas. “Então, você está querendo acabar com a soberania de Deus?”. Essa afirmação já coloca o debate sob suspeita. Ora, se no pensamento do movimento evangélico Deus planejou, governa, gerencia, administra, todas as coisas então só um herege doido pode duvidar. Não adianta querer argumentar, a pessoa deixará de ouvir o que será dito dali em diante. Os religiosos são assim, qualquer um: espírita, muçulmano, católico, protestante. As verdades são aceitas sem racionalidade e qualquer tentativa de chamar ao bom-senso esbarra na questão da fé. “Eu creio assim e não admito que você tente me dissuadir do contrário”. Ponto final. Acontece que o Evangelho afirma que a verdade liberta. Se a verdade não pode ser confinada aos parâmetros anteriormente riscados, é preciso coragem para confrontar, duvidar. Colocar em xeque todos os alicerces das convicções é salutar. Por que não testá-las diante de tragédias? Degustá-las no silêncio? Ferí-las com os estiletes que até os ateus usam?
3. Deus tem tudo sob seu controle? Sim e não! A ambigüidade não é minha, mas do texto bíblico. A Bíblia, ao contário do que preconizam os fundamentalistas, não é homogênea. Existem sim textos, principalmente no Antigo Testamento, em que Deus é apresentado em total controle de cada mínimo detalhe de vidas e de acontecimentos históricos. Contudo, outras passagens mostram claramente que sua vontade não é sempre cumprida.

Está escrito em Lucas 7.30 que os indivíduos possuem liberdade de dar as costas ao conselho ou propósito (grego, boulê) de Deus: “Mas os fariseus e os peritos da lei rejeitaram o propósito (boulê) de Deus para eles, não sendo batizados por João”.

Também está escrito em Lucas 13.34 que a vontade (grego, thelô) de Deus pode ser frustrada. O lamento de Jesus sobre Jerusalém é emblemático: “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!”.

Se a sua vontade pode ser frustrada por um fariseu, também pode por um estuprador. Portanto, o estupro seguido de morte da mocinha pobre não era da vontade de Deus! A favela não é da vontade de Deus. A criança que morre de diarréia no alto da Amazônia não é da vontade de Deus. O dinheiro da corrupção depositado na Suíça não é da vontade de Deus. E se nada disso é da sua vontade, o malvado não cumpre qualque propósito, mas expressa rebelião contra o Senhor. Deus não está no controle da chacina, do genocídio, do campo de concentração, porque se estivesse viveríamos no céu, no Paraíso, menos na terra.

Pensar em soberania como um preceito teológico desconectado da vida, mas em sintonia com textos pinçados criteriosamente para fazer valer a doutrina, parece ortodoxo, mas transforma Deus em parceiro de facínoras. Os calnivistas dormem bem com esse tipo de lógica. Eu não.
Esses pontos são suficientes para que os inimigos que ganhei com o Tsunami da Ásia se enfurecessem com o Terremoto do Haiti. Não, não ofereço todas as respostas para a morte estúpida e desnecessária de mais de cem mil almas. Contudo, assim como o pensamento do judaísmo mudou com Auschwitz, espero que a minha ortodoxia cristã seja outra depois de Porto Príncipe. Continuo disposto a provocar novas inquietações e a suscitar novas perguntas. Se não conseguir esclarecer coisa alguma, pelo menos vou me despedindo das respostas simplistas de outrora. Para mim, isso será suficiente.

Soli Deo Gloria

Fonte: Ricardo Gondim

por Daniel Argentino

BB King está de volta às terras tupiniquins. Com sua nova turnê, o rei do blues estará em março de 2010 e passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e talvez Porto Alegre. As informações foram concedidas com exclusividade à BLUES’n'JAZZ pelo diretor do Bourbon Street, Edgard Radesca – que, mais uma vez, é o responsável pela vinda de King à América Latina.

Radesca deixou claro que nenhuma outra cidade verá o rei do blues. E o show de Porto Alegre depende de negociações com produtores locais. “Recebemos uma proposta, mas ela não cobriria os custos do show. Estamos aguardando que os produtores interessados façam uma proposta mais viável”, disse.

Nas outras três capitais as negociações já foram fechadas, e agora estão sendo definidas as datas e os locais. O primeiro show será no Bourbon Street, em São Paulo, casa que King inaugurou e onde tocou várias outras vezes.

Quando veio ao país em 2006, seu empresário na época anunciou que aquela seria a turnê mundial de despedida, e que ele passaria a tocar apenas nos Estados Unidos. A decisão de retomar a estrada partiu do próprio músico, que já fez uma turnê pela Europa este ano.

Os shows no Brasil deverão ter novidades no repertório, pois ele lançou em 2008 o CD “One Kind Favor”. Aos 84 anos de idade, o rei nem pensa em se aposentar.

Serviço:
16/03/2010 – Vivo Rio (Rio de Janeiro)
19/03/2010 – Via Funchal (São Paulo)
20/03/2010 – Via Funchal (São Paulo)
22/03/2010 – Centro de Convenções Ullisses (Brasília)
Fonte: BLUES’n'JAZZ

Nos palcos de todo o mundo, eles galvanizam a atenção das adolescentes. Joe, de 19 anos; Kevin, 21; e Nick, de 16 – os Jonas Brothers –, são alguns dos artistas mais badalados do momento. O trio americano tem músicas açucaradas, como convém às bandas do gênero. Quem não se lembra, por exemplo, dos portorriquenhos do Menudo, uma coqueluche entre as teens dos anos 1980, ou dos rapazes do extinto grupo Polegar, cujos pôsteres ilustravam os quartos das adolescentes de sua época? Mas os Jonas Brothers chamam a atenção por algo diferente. Assumidamente cristãos, os jovens artistas caminham na contramão dos colegas do showbiz e fazem da defesa da virgindade pré-conjugal uma de suas bandeiras. Eles juram de pés juntos que se manterão castos até o casamento, no que têm sido seguidos por milhões de fãs.
Ninguém sabe se o compromisso será seguido à risca, mas fato é que os Jonas Brothers, todos ex-alunos do Eastern Christian High School, em North Haledon, New Jersey (EUA), conseguiram fazer de algo considerado fora de moda um tema obrigatório nas conversas de inúmeros jovens como eles – a valorização da virgindade. O grupo faz do uso do chamado anel de pureza – acessório que os adeptos do movimento fazem questão de ostentar – e de declarações favoráveis à castidade suas marcas registradas em shows, entrevistas e aparições públicas. “As alianças servem como lembrete constante para viver uma vida com valores”, diz Nick, o mais novo dos Jonas Brothers.
Leia mais em: Cristianismo Hoje
Agora que o estresse, as exigências e a frivolidade passageira do Natal terminaram, chegou o momento de concentrar o foco no ano que vai começar. Isto envolve planejar, estabelecer metas e decisões ousadas. Alguns têm por objetivo basear-se no progresso alcançado no ano que finda; outros estão ansiosos por deixar o passado e partir para um novo começo.
Para alguns 2009 não passou com a rapidez desejada. Trouxe consigo experiências terríveis e esperam que o próximo ano seja muito melhor. Para outros, dar adeus ao ano que em breve pertencerá ao passado provoca tristeza, pelos eventos memoráveis e marcantes, pessoais ou profissionais. Há quem, entretanto, encare as lutas e fracassos do ano sob uma ótica positiva, esperando aplicar as lições importantes aprendidas.
Ao fazer planos e estabelecer metas seria sábio tomar emprestado das empresas bem-sucedidas um importante princípio. Elas têm declarações de missão claramente delineadas e cuidadosamente expressas. São lembretes formais para comunicar seu propósito ao quadro de funcionários, clientes e fornecedores. Deveríamos também adotar declarações de missão ou de propósito que nos forneçam respostas para perguntas como. “Por que estou aqui?”, “Para onde estou indo?”, “Como vou saber que cheguei ao meu destino?”
Muitos de meus amigos fizeram este exercício e o acharam útil. Ao invés de ser restritivo ele proporciona liberdade e direção. Como nos lembra o ditado,“Se você mirar o nada, acertará sempre”. Uma declaração de propósito, ou missão, ajuda a definir quem nós pensamos ser, o que gostaríamos de realizar em nossa vida e como pretendemos consegui-lo. Uma vez que alguém formule e determine viver segundo uma declaração de propósito é possível submeter seus objetivos a esse filtro; os que se alinham com o propósito declarado são mantidos; os que entram em conflito serão descartados ou deixados à parte para posterior consideração.
Uma declaração de propósito inclui valores e crenças e é mais importante do que objetivos pessoais e profissionais, e até mesmo que talentos e habilidades que temos para oferecer. Rick Warren escreveu em “Uma Vida Com Propósitos”, livro no qual ele sugere que cada um de nós deveria perguntar a si mesmo: “Afinal de contas, por que estou aqui?”. Vale a pena considerar as conclusões encontradas nesse livro, centradas nas afirmações que vêm a seguir:
Propósito nº 1:  Você foi planejado para dar prazer a Deus (Adoração).
Propósito nº 2:  Você foi formado para fazer parte da Família de Deus (Comunhão).
Propósito nº 3:  Você foi criado para tornar-se como Cristo (Discipulado).
Propósito nº 4:  Você foi moldado para servir a Deus (Ministério).
Propósito nº 5:  Você foi feito para uma missão (Missão).
Pessoalmente adotei uma declaração de propósito anos atrás baseada em um versículo da carta que o apóstolo Paulo escreveu para a igreja de Filipos (versão amplificada):“Porque o meu propósito determinado é que eu possa conhecê-lo (Jesus Cristo) – que eu possa progressivamente conhecê-lo mais profunda e intimamente, percebendo, reconhecendo e compreendendo as maravilhas de Sua pessoa mais fortemente e mais claramente”  (Filipenses 3.10).
Sempre que revejo minhas metas, descubro que esta declaração é excelente filtro para avaliar o que estou planejando fazer e porquê.  Feliz e abençoado 2010!
Por Robert J. Tamasy no Maná de Segunda
De vez em quando, e pena que não é sempre, quando estou em silêncio para meditação, contemplação e oração, sinto como se meu corpo flutuasse, meus pés saíssem do chão e eu perdesse todas as minhas referências. Tenho a estranha sensação de que fui gentil e suavemente puxado para um não-lugar: já não sei se estou em pé, sentado ou deitado, nem mesmo tenho qualquer lembrança do lugar onde me encontrava quando mergulhei na quietude. Não escuto nada ao redor e sequer percebo um único pensamento a boiar em minha mente. Resta apenas um estado de alegria, serenidade e paz indescritível e fugaz. Parece que, por alguns segundos, fui colocado a viajar dentro de uma translúcida bolha de sabão, e no mesmo instante em que sou invadido por essa sensação, ela se dilui, tão rápida e magicamente como estoura a bolha de sabão. A coisa deve demorar uma questão de segundos, menos até, mas seu impacto perdura muito mais. Sinto como se por um instante eu tivesse saído do tempo e penetrado a eternidade ou como se a eternidade tivesse penetrado em mim. O máximo a que posso comparar é a sensação de que fui fundido com tudo e todos, arremessado para uma dimensão sem fronteiras, quase como se momentaneamente me tivesse perdido de mim mesmo e me ligado a tudo o mais – nada me é estranho e nenhum lugar é distante.
A melhor expressão que encontrei para descrever essa experiência me apareceu numa troca de correspondência entre Sigmund Freud e seu amigo Romain Rolland. Os dois comentavam as ideias de Freud a respeito da religião e Rolland responde que sabia existir “um sentimento peculiar, que ele mesmo jamais deixou de ter presente em si, que vê confirmado por muitos outros e que pode imaginar atuante em milhões de pessoas. Trata-se de um sentimento que ele gostaria de designar como uma sensação de ‘eternidade’, um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras – ‘oceânico’, por assim dizer” [citado por Freud em sua obra O mal estar da civilização].
Esse “sentimento oceânico” é o que me ocorre quando penso em “coração que abraça o mundo”. A noção enraizada de que sou um com tudo e com todos. A possibilidade de me enxergar em cada ser humano particular e em todos apesar e justamente em razão de sua diversidade universal. Continuo sendo eu mesmo, mas o outro já não me é distinto: eu sou ele também, ele está em mim e eu nele – radicalidade do amor ao próximo. Aparece a responsabilidade de me perceber integrado à natureza e fazer parte da teia da vida que flui e sustenta a natureza criada. Nascem em mim os cheiros das flores, a selvagem força e a docilidade dos bichos, todos os sabores no meu paladar. Acontece o paradoxo de me acreditar único, distinto de toda a realidade ao meu redor e, ao mesmo tempo, um grão vital em unidade com todo o universo em seus mínimos detalhes e sua imensidão.
Acredito que existe mesmo um portal que atravessamos quando somos agraciados por esta epifania – visita e manifestação do divino, que nos remete ao vão do tempo, e experimentamos no corpo, nas emoções e na profundidade da consciência o fato de vivermos imersos em Deus: “nEle somos, nos movemos e existimos”, disseram os poetas gregos e Paulo apóstolo concordou. Uma vez experimentando a unidade com Deus, abraçamos o mundo, pois o mundo todo vive no eterno abraço de Deus.
2009 | Ed René Kivitz
Fonte: IBAB

 

Ricardo Gondim
Nossa vida se mistura às emoções. Apaixonados, lutamos para não deixar que os dias escorram como água entre os dedos. Imprecisa, não-evidente, enviesada, carente de construção, a vida não espera. Artesãos precisam talhá-la com a delicadeza dos joalheiros. No caldo da angústia universal, a vida aguarda que alquimistas transformem atrevimento em circunspeção; quer converter Valquírias em Marias, bárbaros em samaritanos.
A vida transcorre em constante mistério. De onde vem a percepção da beleza? Por que nos sentimos atraídos a entesourar instantes delicados do passado sob o signo da saudade? Por que, diante da morte que desfigura e esfumaça os olhos, permanecemos obstinados em aprender?
Inventamos perguntas: Para onde se expande a margem extrema do universo? Que mecanismo impede a mente de ressentir dores? Por que nos contemplamos diferente do que somos nos sonhos, embora nunca deixemos de ser nós mesmos?
A vida se perde porque, infelizmente, começamos com afirmações mas esquecemos as perguntas; não transformamos nossos pontos de interrogação em lupas. Presunçosos, não carregamos o pente fino da dúvida nos bolsos do colete. Covardes, tememos as aporias. Desistimos dos porquês infantis e ficamos com as certezas adultas, que nos entorpecem.
A vida se veste com os andrajos da tristeza. Agonizamos quando vemos a lama burocrática cobrir o vilarejo pobre. Impotentes, desistimos de resistir ao mal sistêmico, que negocia com a alma humana. Calamos quando testemunhamos as elites movimentando o motor-contínuo financeiro, que energiza as engrenagens da injustiça.
Perdidos, hesitamos na iminência da bondade e misericórdia desaparecerem do vocabulário religioso. Abatidos, vemos a sordidez sentar na cadeira da polidez, a implacabilidade ganhar da bondade e a ambiguidade ética amordaçar a solidariedade.
Entretanto, a vida é perigosamente trágica. Entramos no palco sem ter recebido qualquer roteiro; não passamos de atores que gaguejam, sem texto para decorar; personagens que atuam, sem noção do instante trágico, quando as cortinas descerão encerrando o espetáculo. Contracenamos com atores que mal conhecemos.
Vez por outra ouvimos apupos. Inutilmente procuramos máscaras sorridentes – aquelas que disfarçam constrangimentos. Sem coxia, não sabemos para onde fugir. Assumimos diferentes papeis mesmo sabendo que nos aguarda o fim trágico será inevitável. Todos sofrem. Quando finalmente nos acostumamos com os holofotes, o diretor grita: “Acabou!”.
Entretanto, a vida é bela – “e sempre desejável”, disse o poeta. O dilúvio não tem força de descolorir a aquarela que brota do sol, e se refrata na neblina. Homens e mulheres insistem em esperar novo céu e nova terra: o mundo impossível onde crianças brincam com serpentes, e o boi passeia ao lado do leão.
Sim, a vida é bela. Ainda é possível perceber o sopro do Espírito no farfalhar da folha que baila enamorada do vento. Somos convidados a celebrar o encanto de viver no gesto do ancião que planta uma árvore; na obstinação da mãe que ensina a filha surda a falar com as mãos; na leveza do menino que brinca com a capoeira e faz da luta uma dança.
Soli Deo Gloria

Fonte: Ricardo Gondim

 

Esse vídeo mostra um encontro de pessoas que possuem compulsão pela internet. Ele é uma propaganda no notebook Vaio W, da Sony, voltado para esse tipo de público. A reunião do grupo chamado de Associação dos Viciados em Mídia Social (AVMS) é muito parecida com aquelas que vemos com frequencia em filmes americanos – do tipo Alcoólicos Anônimos – e que vez ou outra são satirizadas por humorísticos. Mesmo assim, o roteiro e a produção estão muito bons, o que nos tira gargalhadas.

Vi no Bombou na web

 

Trabalhou comigo, anos atrás, uma moça da qual eu me lembro por três motivos. O primeiro é que ela comentou uma vez, de passagem, que quando estava se sentindo por baixo gostava de passar diante de um canteiro de obras: era inevitável que ao ver as suas pernas compridas os peões dissessem coisas que a faziam sentir-se bonita. Nunca esqueci esse comentário.
Outra coisa de que eu me lembro é ouvi-la contando, chocada, que estava parada num ponto de ônibus cheio de gente quando um sujeito gritou, de dentro de um carro, que ela tinha um nariz horrível. Chegou ao trabalho chorando de humilhação.
A última coisa de que me lembro é que ela vive em Paris há anos. Da última vez que conversamos não tinha planos de voltar.
Em Paris ela pode andar de minissaia, pode sair e beber sozinha e há pouco risco de que seja abordada, elogiada ou insultada. Às vezes eu acho que ela abriu mão dos galanteios dos peões para ficar livre dos insultos. Outras vezes acho que ela descobriu que não gostava nem mesmo dos galanteios.
De qualquer forma, acho que galanteadores e agressores se parecem: cada um deles, a sua maneira, acha que tem o direito de dizer o que pensa a uma mulher estranha. Pode ser um elogio físico ou uma grosseria sexual, não importa. Em geral, trata-se daquilo que os americanos, apropriadamente, chamam de “atenção não solicitada.” Indesejada, na verdade.
Nas duas últimas semanas, desde que ocorreu a história da moça da Uniban, tenho pensado na forma como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres. Até que ponto aqueles tipos que xingaram a ameaçaram a moça do vestido cor de rosa se parecem com o resto de nós – atrevidos e eloquentes galanteadores brasileiros?
No início desta semana, quando discutíamos a baixaria da Uniban aqui no trabalho, uma de nossas colegas – jovem, bonita, discreta – pediu a palavra para fazer uma espécie de desabafo. “É difícil para uma mulher caminhar nas ruas de São Paulo”, ela disse. “A gente tem de andar olhando pro chão, fingindo que não escuta todas as besteiras que nos dizem”.
É isso, não é? Mulher bonita anda pela rua e vai sendo alvo de comentários em voz alta. Que cara, que bunda, que isso que aquilo. Se você, caro amigo, acha que elas gostam, pergunte. Minha amostragem sugere que a maioria detesta. Se sentem ameaçadas, intimidadas, insultadas. Querem ser deixadas em paz.
Esse assédio sobre as mulheres acontece à luz do dia, na porta do trabalho, na travessia de pedestres, dentro do ônibus. Às vezes o tom de voz do sujeito ou as coisas que ele diz amedrontam. Outras vezes dá asco ou dá vergonha. Nas baladas pode ser pior: o garanhão de calça agarradinha chega apertando o braço da moça, mexendo no cabelo, forçando a barra. Não aceita não como resposta. Mas quem deu licença a ele para dizer coisas e tocar o corpo de uma mulher desconhecida?
Nós, homens, demos licença. A cultura machista nos dá licença.
Assim como os talibãs agridem mulheres que se atrevem a andar sem burca – porque se sentem donos delas – nós dizemos o que queremos às mulheres que se atrevem a exibir sua beleza delas na rua, pela mesma razão. Se estiver acompanhada de um homem, vá la. Mas se estiver sozinha, sem dono, “causando”, vai ter de ouvir o que a gente quiser dizer. Ou pior. Pelo simples fato de que a gente pode.
Ouço dizer que isso acontece apenas em São Paulo, mas duvido. No Rio as garotas andam de biquíni na orla e de shorts em qualquer lugar, mas quando uma delas resolve fazer topless na praia, a tigrada atira areia e rosna ameaças. Passou do limite! Mas quem dá o limite do que a mulher pode ou não usar? Os talibãs da praia? Me contaram que outro dia uma adolescente com cara de estudante de moda teve de saltar de um ônibus na Avenida Paulista porque usava uma saia muito curta e foi ameaçada por uma turba. São os talibãs do ônibus.
No universo mental desses camaradas, mulher que não quer confusão se dá ao respeito: anda com as pernas cobertas, sem roupas ou adereços provocativos, discreta e modestamente. Fica no seu lugar. A rua é o espaço em que os homens fazem o que querem e as mulheres se comportam. Mulher que sai da linha ou chama atenção por ser bonita a turba trata como quer. Pergunto: há diferença filosófica entre isso e a misoginia que se pratica nos países islâmicos atrasados?
Com o risco de incorrer em exagero, acho tudo parecido com tudo. O sujeito que diz besteiras a uma moça que caminha na rua, o playboy que agarra a garota na balada, o cara que se esfrega na mulher do trem, o marginal que insulta a moça da Uniban. Tudo faz parte de um mesmo contínuo de desrespeito à mulher. Ele começa com o chato do bar, que insiste na cantada apesar de meia dúzia de nãos, e termina… Sabe-se lá onde termina.
Claro, todo comportamento social tem uma justificativa ideológica. Neste caso, a justificativa é a de que as mulheres gostam. Se você perguntar, vai ouvir dos conquistadores que, lá no fundo, elas querem ser assediadas, agarradas, elogiadas com bastante pimenta. Faz bem para o ego delas, explicam. Claro, por trás de todo grosseirão há sempre um especialista na alma feminina. Mas eu suspeito que eles estejam errados.
Minha opinião, pelo que vale, é que esse tipo de comportamento insultuoso tem de ser reprimido: socialmente e, se necessário, pela polícia. As mulheres têm direito de andar sozinhas pelas ruas, vestidas como quiserem, e serem respeitadas. E elas são o melhor juiz do que é ou não é desrespeitoso. Se o sujeito cruzou o limite, chama a polícia, avisa o segurança, pede ajuda ao dono do bar. Não faz sentido, em pleno século 21, que nossas filhas, namoradas, irmãs ou amigas tenham de andar pelo mundo com os olhos no chão porque um bando de homens não se aguenta nas calças.

Ivan Martins, Revista Época

 

Dá uma olhada nessa figura do vídeo abaixo… hilário, o cara faz o maior discurso e acaba pagando um mico desses!

Marcos Leite

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Vi no Pavablog

O Todo-Poderoso não interfere em resultado de jogo
Recentemente, o jornalista esportivo Juca Kfouri publicou no jornal Folha de São Paulo um texto bastante incisivo intitulado Deixem Jesus em paz. Ele abordou criticamente o proselitismo que alguns jogadores de futebol cristãos praticam, aproveitando-se de sua fama e das façanhas realizados no gramado. Kfouri chama este comportamento de insuportável e o classifica de “invasão inadmissível e irritante”. Nas entrelinhas, é fácil sentir que, embora a crítica seja voltada a todos os atletas que usam tais táticas evangelísticas, ela foi apontada mais diretamente ao craque Kaká. Coincidentemente, o assunto é tratado aqui mesmo, na matéria de capa desta edição de CRISTIANISMO HOJE.
Ao contrário de Kfouri, a utilização de camisetas, chuteiras e outros artefatos com declarações de louvor a Deus não me incomoda. Claro que temos de estar preparados para quando jogadores de outros credos também venham utilizar a mesma estratégia. Não é difícil imaginar, portanto, que gol em campeonato baiano acabe sendo dedicado a um orixá. Também, por outro lado, se estas manifestações começarem a interferir demais no espetáculo trazido ao Brasil por Charles Miller, será natural e esperado que os cartolas coloquem limites, não só a declarações religiosas mas a outros tipos de marketing também. Vale lembrar que até comemorações mais efusivas já foram proibidas pela Liga de Futebol Americano nos Estados Unidos – e olha que isso aconteceu justamente na terra do show business!
Mas existe algo que me incomoda muito na atitude de atletas evangélicos, o que chega a dar razão e credibilidade à seguinte afirmação de Juca Kfouri: “(…) Parece-me pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus. E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio! (…)”. Há outra atitude que, se não caracteriza o uso do nome de Deus em vão, chega muito perto – é a de atribuir a Deus jogadas geniais, gols e vitórias em campo. Honestamente, não consigo imaginar o Senhor interferindo em resultados de futebol. Isto é, a menos que o todo-poderoso em questão seja aquele deus interpretado pelo ator Jim Carey, e não o Deus vivo.
É claro que o Senhor concede a seus filhos talentos e oportunidades. Mas o que fazemos e como desenvolvemos estes talentos e oportunidades é nossa responsabilidade – não só no esporte, como em todas atividades. Assim como Deus não transforma um bom jogador que nunca faça preparação física em exemplo de boa forma da noite para o dia só porque ele é cristão, também não fica por aí soltando ventos para alongar cruzamentos ou esticando traves para a bola chutada por um crente entrar no gol. Além disso, se é Deus o grande responsável por jogadas de sucesso e gols feitos por jogadores cristãos, quem seria o responsável quando estes mesmos atletas religiosos perdem um pênalti ou dão uma canelada? O mesmo Deus? Não creio. Não podemos creditar a ele nossos acertos e achar que erramos só por nossa culpa. Em campo, os acertos e erros são de responsabilidade do jogador, e só dele.
E se Deus realmente interferisse em resultado de jogo, goleiro cristão nenhum tomava gol, Israel estaria em todas as finais de Copa do Mundo e o Vaticano, com jogadores de batina, faria bonito nos gramados mundo afora. Por uma questão de coerência, então, o mesmo jogador que dirige uma oração de agradecimento aos céus quando marca um tento deveria também dar graças ao mandar um chute na arquibancada. Uma coisa, no entanto, é agradecer ao Criador pelas habilidades que nos deu. Outra, é atribuir gols, belas jogadas e bons resultados a Deus. Aí, já fica parecendo quebra de mandamento mesmo, como apontou o grande Juca Kfouri.
No texto do jornalista, existe ainda uma grande dica de leitura: o livro Em que crêem os que não crêem (Record), de Umberto Eco e Carlo Maria Martini. Na obra, o filósofo e o teólogo italianos discutem, na forma de debate, questões muito interessantes, como o ateísmo, o divórcio, a emancipação feminina e, principalmente, a origem da moral para o homem agnóstico. Vale a leitura. E, para terminar, devemos sempre ser gratos a Deus pelos talentos que temos e glorificá-lo com eles, até mesmo publicamente. Todavia, não podemos nos esquecer de que o Todo-Poderoso não faz gol nem interfere em resultados. Sim, Deus só vai ao estádio porque é onipresente. Caso contrário, ficaria em casa.

Carlo Carrenho no site Cristianismo Hoje

Estar junto, caminhar junto, sorrir, chorar, partilhar, esses são alguns desafios para quem vive em comunidade, a tão sonhada e falada comunhão nem sempre é vivida. Sabemos das dificuldades relacionais que enfrentamos mas entendemos que só há uma maneira de vivermos como comunidade, andando em comunhão. Com essa visão a juventude da Pibb tem caminhado buscando romper com as barreiras do templo e buscando uma vida de comunhão no dia a dia. E não há nada melhor do que estar junto com pessoas que amamos e fazermos um programa que faz bem ao corpo e à alma, é o que eu chamo de ” koinonia ecológica”, abaixo segue algumas fotos do passeio que fizemos ao Salto do Itiquira em Goiás, um tempo de exercitar o corpo, nos deslumbrarmos com as belezas da natureza e fortalecer os laços relacionais. Vamos aguardar a próxima aventura galera!

Marcos Leite

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Foto na chegada

 

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A cachoeira

 

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Uma pausa para a foto antes da subida.

 

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Trilhando...

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E a trilha continua...

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Que vista... estamos na metade da trilha.

 

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Só mais um pouquinho galera, estamos quase lá.

 

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Chegamos, é Dudu, é alto mesmo. O esforço vale a pena, a vista é maravilhosa.

 

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Depois de tanto esforço, é hora de repor as energias.

 

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Depois de compartilhar os biscoitos e farofas é hora de colocar o papo em dia. Valeu galera, foi bom demais.

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Altamente refrescante.

 


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